sábado, 29 de junho de 2013

A cara e a força da geração Facebook

PROTESTOS Segundo Instituto Maurício de Nassau, 93% dos entrevistados usam esse
tipo de rede social e 91% acreditam em sua importância para manifestações populares

JORNAL DO COMMERCIO


Estudo realizado no Recife pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau e divulgado ontem revela
que o Facebook é a principal rede social para 93,4% dos entrevistados. O Twitter é o segundo colocado, com 2,1%. O levantamento também aponta que 91,4% das pessoas acreditam que essas ferramentas
são importantes para as manifestações populares. A realidade respalda os números. Na onda de protestos que caminha para a terceira semana, as redes sociais têm funcionado como termômetro e chamariz.

“As redes sociais são fundamentais em dois aspectos. É uma ferramenta para que várias reivindicações regionais sejam nacionalizadas. Foi através da internet que conseguimos criar, há pouco tempo, uma frente nacional em defesa do passe livre. Antes, as lutas eram localizadas. Além disso, para a população em geral,
as redes sociais se transformaram em um espaço de descarrego de suas insatisfações”, afirmou Pedro Josephi, integrante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Católica de Pernambuco
(Unicap) e membro da coordenação da Frente de Luta Pelo Transporte Público de Pernambuco.
Josephi salienta, contudo, que as redes sociais funcionam como ponto de encontro e de disseminação das ideias, mas que a atuação nas ruas é insubstituível. “As ações nos espaços físicos não podem deixar de existir”, frisou.

O cientista político Adriano Oliveira, elaborador da pesquisa e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), diz que as entrevistas, embora tenham sido realizadas nos dias 11 e 12, antes do
início dos protestos no Recife, indicam que o movimento na capital pernambucana nasceu nas redes sociais e teve como foco o alto preço das tarifas de ônibus. “É o que a pesquisa sugere, porque daqueles que já
participaram de campanhas ou abaixo-assinados pela internet, 11,8% disseram que a pauta era contra o aumento das passagens. É o percentual mais alto. Fizemos a pesquisa no momento de ebulição dos movimentos, quando São Paulo já havia iniciado os protestos”,  avalia.

Oliveira ressaltou que, ainda  de acordo com o levantamento, as manifestações são realizadas por segmentos específicos” da sociedade, uma vez que o processo de democratização é lento: apenas
44,9% dos entrevistados acessam a internet costumeiramente, 57% têm conexão em casa e 39,4% utilizam as redes sociais com frequência. “O que lemos é que as redes sociais ainda não representam a voz de toda a sociedade, mas de segmentos específicos. É preciso que haja uma maior democratização. Ou seja, as redes
sociais são um instrumento de formação de opiniões públicas, mas ainda não são usadas por boa parte da população”, acredita.

Ao todo, 624 recifenses foram entrevistados pelo IPMN – 54,5% eram mulheres e 45,5%, homens. A margem de erro é de quatro pontos percentuais.




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