terça-feira, 14 de outubro de 2014

Hannah Arendt é homenageada com Doodle do Google no seu 108º aniversário

O 108º aniversário de Hannah Arendt foi lembrado em Doodle do Google nesta terça-feira (14). A homenagem à escritora alemã pode ser vista na página inicial do buscador em diversos países. Considerada uma grande filósofa, Hannah rejeitava constantemente esse título por dizer que “os homens, e não o Homem, vivem na terra e habitam o mundo”, em oposição à filosofia, que analisa “o homem no singular”. A alemã é mais conhecida pelo livro "A Condição Humana", que relata o desenvolvimento histórico da existência humana, da Grécia Antiga até a Europa moderna.
108º aniversário de Hannah Arendt no Doodle do Google (Foto: Reprodução/Google)
108º aniversário de Hannah Arendt no Doodle do Google (Foto: Reprodução/Google)
Hannah Arendt é uma filósofa política alemã de origem judaica, considerada uma das mais influentes do século XX. Ela nasceu no dia 14 de outubro de 1906 em Linden, Alemanha, e faleceu no dia 4 de dezembro de 1975 em Nova Iorque, Estados Unidos, com 69 anos. Ela se mudou para a América após a perseguição dos judeus a partir de 1933, ano em que foi presa. Mas, a cidadania americana só veio anos mais tarde, em 1951. O trabalho filosófico de Hannah Arendt envolve política, a autoridade, o totalitarismo, a educação, as relações e condições de trabalho, a violência e a condição feminina.
Paradoxalmente, seu primeiro livro teve o título "O conceito do amor em Santo Agostinho: Ensaio de uma interpretação filosófica". É, na verdade, a primeira edição de sua tese de doutoramento, de 1929, em que usa Heidegger e Jaspers para enfatizar a importância do nascimento, tanto para o indivíduo como para seu próximo. A crítica a seu trabalho veio para considerar que ela não considerava Santo Agostinho como como sacerdote, mas como filósofo, destacando a falta de uso de literatura teológica recente.Hannah refutava o rótulo de filósofa também pois dizia que o termo não cabia dentro das ciências políticas. Mas, teve aula com nomes da filosofia enquanto esteve na Alemanha, como Martin Heidegger e Nicolai Hartmann, além do teólogo Rudolf Bultmann. A relação próxima com Heidegger resultou em um caso amoroso, apesar da grande diferença de idade entre os dois – Hannah Arendt tinha 18 anos e Heidegger 35. Foi o fim da relação que a fez mudar da Universidade de Marburg para Freiburg, estudando ali sob a orientação de Edmund Husserl.
Arendt ao lado de Heidegger, um de seus maiores mentores que também foi amante nos anos 1920 (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons) (Foto: Arendt ao lado de Heidegger, um de seus maiores mentores que também foi amante nos anos 1920 (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons))Arendt ao lado de Heidegger, um de seus maiores mentores que também foi amante nos anos 1920 (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)
Leu Marx e Trotsky, analisou a exclusão social dos judeus, e criou o termo arrivista para opor o conceito de “pária”, empregado pela primeira vez por Max Weber para falar dos judeus. Em 1932, publicou o artigo O Iluminismo e a questão judaica, no qual expõe suas ideias sobre a independência do judaísmo, e escreve uma crítica sobre feminismo em que comenta a emancipação da mulher na vida pública, destacando as limitações que ainda havia no casamento e na vida profissional. Hannah Arendt foi uma fervorosa defensora de conceitos feministas os movimentos feministas tanto quanto os movimentos juvenis pelo desejo de ambos desejavam criar partidos políticos influentes.
Em "As origens do totalitarismo", seu segundo livro mais famoso, a autora compara nazismo e stalinismo, colocando-as lado a lado como ideologias totalitárias como explicação compreensiva da sociedade mas também relacionando com o individual. Mostra que a banalização do terror causa o totalitarismo, que decorre também da manipulação das massas, da falta de crítica ao governo. Ela define Hitler e Stalin como iguais, já que usaram as insatisfações individuais de dois Estados decadentes para subir ao poder.
A condição humana veio sete anos depois, em 1958, em uma obra torna relevante o papel da política como ação e processo, que permeia a luta pela liberdade. A clássica tripartição grega foi e metodologia utilizada pela cientista política, que viria a ser reconhecida como uma das maiores mulheres na Filosofia. No fim de sua carreira, deu aulas na Universidade de Chicago, em 1963, e na New School for Social Research, em Nova Iorque, para onde se mudou em 1967 e permaneceu até sua morte por causas naturais em 1975.

Tec Mundo

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