sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Sem acordo, ambulantes mantêm ocupação na Câmara do Recife

Com apoio da PM e Guarda Municipal, equipes da Prefeitura do Recife vão retirar ambulantes de trecho da Avenida Conde da Boa Vista (Foto: Penélope Araújo / G1)Com apoio da PM e Guarda Municipal, equipes da Prefeitura
do Recife vão retirar ambulantes de trecho da Avenida Conde
da Boa Vista (Foto: Penélope Araújo / G1)
Uma reunião foi marcada para a próxima terça-feira (3) para conversar sobre a retirada de ambulantes da Avenida Conde da Boa Vista, no centro do Recife. Até lá, os ambulantes decidiram continuar acampados na Câmara dos Vereadores do Recife, onde a reunião deve ocorrer. Durante toda a manhã desta quinta-feira (29) a Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano do Recife realizou a reordenação da via e comerciantes ligados ao Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal do Recife (Sintraci) ocuparam a Câmara, em protesto.
No fim da tarde, três vereadores foram até a Prefeitura do Recife para conversar: Jurandir Liberal, Marcos de Bria e o presidente da casa, Vicente André Gomes. A Prefeitura confirmou que houve uma conversa dos três com uma equipe da Secretaria de Mobilidade, incluindo o titular da pasta, João Braga, para entender a operação. Na ocasião foi agendado o encontro da próxima terça. Segundo a Prefeitura, ficou decidido que a retirada dos ambulantes está mantida, só os cadastrados ficam.
“Tem cerca de 150 pessoas. A gente já preparou sopão, arrumou colchão... A gente espera que todos voltem a trabalhar e arrumem uma alternativa digna para eles se instalarem”, afirma a vendedora Luciana Mendonça, diretora do Sintraci e ambulante cadastrada na Rua Sete de Setembro.

A Câmara dos Vereadores confirmou que a ocupação é pacífica e que os manifestantes não serão retirados do local. A Guarda Municipal vai cuidar da segurança. De acordo com a Prefeitura, o trecho ordenado vai da Rua José de Alencar até a Rua do Hospício e o objetivo é resgatar a mobilidade dos pedestres. A Prefeitura disse ainda que ficaram no local apenas os 50 ambulantes cadastrados ao longo de 2013 e 2014, que serão realocados, até o fim do ano, para centros populares de comércio.
Manifestação
Os ambulantes se concentraram na Avenida Conde da Boa Vista e seguiram para a Câmara por volta das 10h. No local, cerca de 200 comerciantes pediam para serem recebidos por um representante.
Os vendedores tomaram conta do hall da Câmara, tendo o apoio de três advogados do movimento Direitos Urbanos nas negociações com a Guarda Civil Municipal, que também estava no local. No entanto, a orientação da Guarda foi para que os manifestantes permaneçam no hall.
De acordo com o secretário de Mobilidade e Controle Urbano João Braga, não haverá novo cadastramento dos comerciantes informais da área.  "Somente aqueles comerciantes que se sentirem prejudicados e que estavam na rua em 2013, podem procurar a Secretaria", afirmou João Braga. Segundo ele, uma comissão devera verificar a situação desses ambulantes, que podem ainda receber o cadastro.
Secretário afirma que não haverá novo cadastramento (Foto: Penélope Araújo/G1)Secretário afirma que não haverá novo cadastramento.
(Foto: Penélope Araújo/G1)
Braga lembra ainda que a reordenação desta quinta (29), que deixa os profissionais cadastrados ainda atuando na rua, é provisória. "Todos eles vão ter onde ficar. Depois, serão transferidos para um centro de comércio", afirma. A Prefeitura conta com quatro terrenos - três na Rua da Saudade e um na Ra do Riachuelo, todos no bairro da Boa Vista - onde serão construídos Centros de Comércio Popular, previstos para serem entregues ainda em 2015.
Retirada dos ambulantes
No ponto onde está acontecendo a ação, fiscais da Prefeitura contam com o apoio da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar para retirar os comerciantes que não foram cadastrados pela Secretaria em 2013. A ação acontece no trecho entre a Rua José de Alencar, onde fica o Shopping Boa Vista, até a Rua do Hospício. Aqueles que foram cadastrados poderão atuar na avenida até que as obras dos Centros de Comércio Popular sejam finalizadas e eles sejam relocados, o que deve acontecer ao longo de 2015.
Por volta das 8h, alguns ambulantes começaram a chegar. A vendedora Luciana Mendonça, diretora do Sintraci e ambulante cadastrada na Rua Sete de Setembro, acredita que o problema da reordenação da Prefeitura é a falta de diálogo. "Eles não recebem os trabalhadores e dão logo a solução, não dão nenhuma alternativa", afirma. Ela denuncia ainda que seu cadastro não foi renovado apenas pelo fato de integrar o sindicato.
Alguns ambulantes cadastrados também não trabalharam hoje, em solidariedade aos colegas que seriam retirados da via. "Todo mundo precisa trabalhar. A gente respeita o lado deles e apoia", conta um vendedor que não quis se identificar. “Quem é cadastrado vai ficar, mas todos têm direito. Estou aqui para a luta”, disse outro ambulante que não quis revelar a identidade.Já o comerciante Francisco Nascimento não é cadastrado, apesar de ser ambulante no centro do Recife há 50 anos. "Já vendi de tudo, caderno, guarda chuva, toalha", conta. Há dois anos ele vende alicates e tesouras próximo ao Shopping Boa Vista, mas não conseguiu cadastro junto à Prefeitura. "Tentei conversar, mas eles não deixam. Fazem um empurra-empurra quando passam, a gente chama, eles dizem que vão voltar e acabam não cadastrando", afirma.
O projeto da Prefeitura tem o objetivo de liberar as calçadas e melhorar a mobilidade dos pedestres na Avenida Conde da Boa Vista. Cento e quarenta e um ambulantes foram cadastrados, na fase inicial da iniciativa. A Secretaria de Mobilidade estima, no entanto, que 300 comerciantes estejam em ação nessas ruas.
Nesta quinta (29), serão retirados cerca de 130 comerciantes do trecho, onde foram cadastrados uma média de 50 ambulantes. Após a ação, outra retirada de ambulantes está prevista para o dia 10 de fevereiro - desta vez, no trecho entre a Rua do Hospício e a Rua da Aurora. A retirada total dos comerciantes do local acontecerá gradativamente, ao longo do ano.
Além da retirada dos ambulantes, a ação marca também o início de novas regras para quem foi cadastrado. Não será permitida a instalação de mais de um equipamento de venda por cadastro, além da proibição da venda de alimentos manipulados na hora. Além disso, as bancas dos comerciantes informais deverão ter um tamanho padronizado, com cerca de um metro quadrado.

G1PE

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