quarta-feira, 11 de novembro de 2015

CSI e CUT comemoram os 10 anos do enterro da ALCA


O presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), João Antonio Felicio, e o secretário adjunto de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Ariovaldo Camargo, participaram nesta quarta-feira, em Buenos Aires, das comemorações dos 10 anos do enterro da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), ocorrido no dia 5 de novembro de 2005. Nesta entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, Felicio e Ariovaldo resgatam o significado da vitória para os países da região começarem a construir e fortalecer alternativas soberanas, virando a página de submissão ao imperialismo.
Há um forte simbolismo por trás da derrota da ALCA. Alguma recordação em particular?

JOÃO FELICIO - Em 2002 participei de uma passeata em Buenos Aires, que foi a minha primeira grande atividade internacional como presidente da CUT, quando conheci Evo Morales. Recordo que foi um ato bastante bonito, onde segurei a bandeira da Argentina ao mesmo tempo em que o presidente da CTA (Central dos Trabalhadores da Argentina) segurou a do Brasil. Foi uma demonstração de que o mundo do trabalho tem unidade, que por trás das cores das nossas bandeiras há uma luta comum. Naquele momento não imaginávamos que todos os enfrentamentos dali em diante nos levassem a que a Área de Livre Comércio das Américas fosse enterrada em Mar del Plata.

ARIOVALDO - Sempre é bom ressaltar o forte protagonismo dos movimentos sindical e social, que tiveram a seu lado os presidentes Chávez, Lula e Kirchner para aglutinar as forças progressistas. A amplitude e diversidade de bandeiras com um objetivo comum foi decisiva e é sempre bom ser lembrada para valorizarmos o papel da unidade.

A mídia trata de menosprezar, relativizar ou até mesmo ignorar a relevância daquele somatório de forças.  

FELICIO - A direita através dos meios de comunicação sustenta que nossas lutas são em vão, que sempre são derrotadas, e a vitória contra a Alca mostra o contrário. Dissemos “Não passarão!” e, com unidade e mobilização, conseguimos barrar a passagem daquele projeto de anexação das nossas economias.

ARIOVALDO - Os conglomerados midiáticos jogam um papel altamente daninho contra a democracia. Têm interesses econômicos bem definidos, bastante vinculados ao grande capital nacional e internacional, que estão unidos em suas ações contra a liberdade dos povos.

Como se dá este embate contra o capital?

FELICIO - O capital não tem bandeira, faz tremular as notas de dólares. É com esta bandeira verdinha com que corrompem as oligarquias locais, os 1% que no Brasil e na Argentina concentram grande parte do Produto Interno Bruto (PIB). É esta pequena elite que subordina o interesse dos seus países ao dinheiro fácil, aprovando TLCs (Tratados de Livre Comércio. Para estas oligarquias, soberania e independência não interessam, seu único projeto político é o lucro.

ARIOVALDO - Hoje temos o Acordo sobre Comércio de Serviços (TISA) que representa uma grave ameaça à soberania dos nossos países e povos. É a velha ALCA retornando com nova roupagem, desta vez secreta, com a população desinformada sobre a sua profundidade e alcance. Se antes eles deram um golpe no Paraguai, como foi feito contra Lugo, para aprovar parcerias público-privadas que entregam o controle da economia do país às transnacionais, isso não seria mais necessário. Bastaria pressionar e chantagear governos a se adaptarem ao seu figurino, com cláusulas que valeriam por décadas, sobrepostas às próprias Constituições.

Uma avaliação do momento atual...

FELICIO - Este é um grande momento do movimento sindical e social das Américas para aprofundar o processo de transformações que vive a região. Mas temos de ter claro quem são os nossos inimigos, para conseguir derrotá-los. Há claramente uma aliança das elites locais que têm seus interesses entrelaçados e estão em xeque. No segundo turno na Argentina, Aécio Neves, um dos expoentes máximos da direita brasileira telefonou para Macri, o candidato da oposição, para manifestar seu apoio. Sabendo disso, precisamos fazer a opção política por um projeto de desenvolvimento, representado por Daniel Scioli. Neste caso não pode haver neutralidade. Todos os que querem uma Argentina livre e democrática precisam rejeitar Macri. Temos de reafirmar o nosso projeto de integração, de fortalecimento da Unasul e do Mercosul contra o projeto de venda do patrimônio público, de entrega de nossas riquezas, como quer o imperialismo. O apoio de Aécio a Macri é como se o diabo estivesse apoiando satanás.


ARIOVALDO - Acredito que este é o momento de cobrarmos dos governos que se elegeram com propostas de combate a esse modelo que sigam trilhando o caminho do desenvolvimento, não retrocedendo nas conquistas obtidas durante o último período. Infelizmente nos vemos diante de um risco real de marcarmos passo, o que abriria espaço para a direita mais retrógrada voltar ao poder. Nós que defendemos o papel do Estado como indutor do desenvolvimento econômico, a valorização do trabalho, a manutenção e a garantia de direitos, temos de pressionar pela redução dos juros, pelo enfrentamento ao problema da dívida pública, fazendo com que o setor produtivo seja o prioritário, não os banqueiros nem os especuladores, como propõe o “ajuste” fiscal. Este é um nó que precisamos desatar. É preciso ter consciência e coragem para enfrentar os nossos inimigos. Creio que as conquistas acumuladas pelos movimentos sindical e social, que se refletiram em medidas dos diferentes governos da região no último período servem para nos estimular a ampliar a pressão. E mantermos a vigilância para combater medidas que representam o retrocesso.




Do portal do Sindsep.
















Ads Inside Post