segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Educação brasileira não dialoga com realidade



O Brasil ainda oferece uma educação inadequada em quantidade e qualidade e, sem rever o modelo de ensino, não conseguirá combater a desigualdade. A observação é do professor Ricardo Paes Barros, que promoveu uma palestra nesta quinta-feira (26), na sede da CUT, em uma parceria do Instituto Lula com a Fundação Friedrich Ebert (FES).

Para Barros, diminuir a distância entre o ensino e o cotidiano dos alunos é um dos desafios para continuar a reduzir a desigualdade social. Ele lembrou que o país tem a maior juventude de toda a história, mas não há políticas para garantir a qualificação, o aproveitamento adequado desse preparo na melhoria da produção e que essa formação seja capaz de integrar os mais pobres ao mercado de trabalho.

“A cada 100 brasileiros, somente 55 vão terminar o ensino médio na idade correta. No Chile, por exemplo, esse índice é de 85%”, comparou.

Segundo ele, isso é resultado de uma educação cada vez mais deslocada e sem significado para o mundo do trabalho. “O que é apresentado na escola não faz nenhum sentido para o jovem”, falou.

Sucesso = novos desafios

Ironicamente, os novos desafios para o país continuar a combater a desigualdade têm ligação direta com o sucesso das políticas públicas que ampliaram a renda dos mais pobres e descortinaram novos desafios, explicou Barros.

“A política social, quando é ineficaz, pode ser sempre a mesma. Quando é eficaz, descortina novas necessidades. O avanço nos últimos 15 anos custou alto investimento público e agora temos que definir qual será o volume agora.”, explicou.

Para exemplificar, Barros lembrou que metade dos municípios brasileiros tinha IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) parecido com o da África Central e, em 2010, esse patamar passou a ser realidade em 1% das cidades do país.

Os avanços atingem exatamente o extrato mais pobre da popular, acrescentou: desde a virada do século, a renda dos mais pobres cresceu a uma velocidade quatro vezes maior do que a dos 10% mais ricos a cada ano. “Se os 10% mais pobres no Brasil fossem um país, só a China teria crescido mais.”

Além disso, ao contrário do que pregam os setores conservadores, as mudanças não ocorreram essencialmente por conta da transferência de renda via programas sociais, mais sim pelo crescimento da renda impulsionado por políticas públicas como a valorização permanente do salário mínimo.

“Em uma década, a taxa de desemprego caiu nove pontos percentuais e a remuneração real cresceu mais de 40%. Entre os 50% mais pobres – excetuando os 10% mais pobres dentro desse público –, mais da metade do crescimento na renda per capita se deve ao aumento da renda dos trabalhadores”, disse Barros, para quem o país deve ter o mesmo ritmo de combate às desigualdades pelos próximos 15 anos se quiser reverter a discrepância social.








Do portal do Sindsep.














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