quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Dirigente sem terra é morto a tiros dentro de assentamento em Alagoas


Trabalhador rural e comunicador popular, Edmilson Alves da Silva, de 35 anos, foi assassinado nas primeiras horas da manhã da sexta-feira (22), por dois pistoleiros em uma motocicleta. Conhecido como Misso, Silva foi atingido por 14 tiros dentro do assentamento Irmã Daniela, na cidade de Japaratinga, litoral norte de Alagoas. Misso era assentado desde 2002 no local onde morreu e era coordenador do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST).
De acordo com informações repassadas pela Polícia Militar (PM), a vítima foi alvejada por 14 disparos de revólver e pistola, em várias partes do corpo, “sendo a maioria deflagrados a queima roupa na região da cabeça”. Os assentados informaram à polícia que os disparos foram deflagrados por dois homens que estariam em uma motocicleta esperando a vítima.
Abalada, a esposa de Silva contou que ouviu os disparos e que ainda teria tentado socorrê-lo. Segundo Célia Amâncio, “Misso ainda tentou se salvar. Ele tentou fugir dos jagunços que atiravam enquanto ele corria até quando caiu. Quando consegui chegar lá, ele já estava morto. Meu Deus, por que o Misso?”.
“A gente tinha marcado de ir para Maceió. O combinado era que eu o pegaria o mesmo horário de sempre e retornaríamos, como sempre era a nossa rotina”, detalhou um trabalhador rural que não quis se identificar com medo de retaliações. Segundo ele, Misso teriam uma reunião com dirigentes do MLST e logo após iria para a sede da Conab, onde retiraria as cestas básicas para os acampados que ele coordenava na região do litoral norte do estado.
Razões
A direção do MLST atribui o crime ao conflito agrário na região. De acordo com Antônio Messias, dirigente do MLST, o crime tem ligação com as ocupações de latifúndios improdutivos que Edmilson vinha realizando na região do litoral norte de Alagoas. “Misso estava coordenando quatro ocupações nas terras da falida usina Santa Maria, a mesma usina que mudou de  razão social três vezes para não sofrer execuções ficais”, alertou.
“Foi uma execução sumária, a queima roupa, sem possibilidades de defesa. Foram 14 tiros contra o camarada deflagrados de pistola e revólver, ou seja, demonstrando que os algozes estavam com muita raiva e que tinham que fazer o serviço”, afirmou Messias.
O corpo de Edmilson só foi recolhido pelo Instituto Médico Legal após 13 horas do crime. A demora gerou revolta nos assentados, que iniciaram um bloqueio da rodovia AL-101 norte, que corta o assentamento. Outros protestos também foram realizados na porta do executivo municipal.
Edmilson Alves foi velado no próprio assentamento em que morreu. Familiares, amigos, dirigentes de vários movimentos sociais e autoridades compareceram ao velório e enterro.



Do portal do Sindsep.














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