quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Samarco não cumpriu acordo, dizem pescadores


Pescadores acusam a mineradora Samarco de não pagar os valores previstos no termo de ajustamento de conduta (TAC) fechado com o Ministério Público após rompimento da barragem da empresa, em 5 de novembro do ano passado, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, região central de Minas. Pelo acerto, os pescadores receberiam um salário mínimo, mais 20% por dependente e uma cesta básica por mês. O TAC foi fechado em 10 de dezembro.

Com o rompimento da barragem, rejeitos de minério de ferro atingiram o Rio Doce, destruindo flora e fauna, inviabilizando a pesca. Segundo Lélis Barreiros, presidente da Associação dos Pescadores de Conselheiro Pena (Aspec), no Leste de Minas, dos 110 associados da entidade, 39 não receberam dinheiro algum.
O rompimento de barragem de Fundão despejou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de lama no meio ambiente, segundo a Samarco. A empresa também informou que o montante é suficiente para encher 24 mil piscinas olímpicas (50 metros). Foram identificadas 17 pessoas que perderam a vida no desastre.
A onde de lama chegou ao litoral do Espírito Santo, a partir da foz do Rio Doce, e passou de 19,3 quilômetros quadrados (km²) para 66,6 km², ou seja, triplicou de tamanho. Segundo um laudo preliminar do Ibama, divulgado no início deste mês, a lama destruiu 663 quilômetros de rios e resultou na destruição de 1.469 hectares de vegetação.
A superintendente do Ministério da Pesca e Aquicultura em Minas Gerais, Vanessa Gaudereto, disse  que pescadores dos municípios de Periquito e Rio Casca também estão sem receber os recursos. "Estamos fazendo um monitoramento sobre quem não recebeu os recursos", afirmou Gaudereto, conforme relato do Estadão. Segundo Barreiros, os associados estão vivendo "da ajuda dos vizinhos".
Os representantes do ministério e da associação dos pescadores de Conselheiro Pena participam desta segunda-feira (25) de reunião da Comissão Extraordinária das Barragens criada pela Assembleia Legislativa com o objetivo de investigar as causas do rompimento da barragem da Samarco e os impactos socioambientais da tragédia. 

A mineradora foi convidada para a reunião, mas não enviou representante. A justificativa foi que o funcionário que iria à Assembleia estava participando das negociações sobre as ações do plano de emergência que está sendo discutido entre a União, a empresa e as suas controladoras, Vale e BHP Billito, o governos de Minas Gerais e o do Espírito Santo, os dois Estados cortados pelo Rio Doce. Ainda não há previsão para conclusão do relatório final da comissão extraordinária. 

A Samarco ainda não se posicionou sobre as declarações da presidente da Aspec.







Do portal do Sindsep.


























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