segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Aprovação de aluna trans da Faculdade de Direito do Recife no exame da OAB fortalece política LGBT da UFPE

A aprovação de Robeyoncé Lima no mais recente exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), anunciada na última segunda-feira (15), foi recebida na UFPE como um estímulo à política de inclusão e respeito aos alunos e servidores da Universidade pertencentes à comunidade LGBT. Rob, como é conhecida na Faculdade de Direito do Recife (FDR), onde vai cursar o último ano do curso de Direito, é a primeira trans a ser aprovada na seleção.

Para a professora Luciana Vieira, que responde pela Diretoria LGBT da Universidade, esse episódio comprova que as recentes mudanças na educação pública superior brasileira deram oportunidade para que quaisquer cidadãos e cidadãs ocupem todos os espaços almejados, antes cativos a poucos. “Essa aprovação de Rob é emblemática para todos que militam na causa do respeito à diversidade e serve de estímulo àqueles que sempre desejaram investir na sua formação e recuavam por medo”, afirma.

Outra entusiasta com a nova condição de Robeyoncé é a professora de Processo Civil da FDR Liana Cirne. Na página do Facebook de Rob, Liana cita a aluna como uma pessoa dedicada e que teve dificuldades na tradicional Faculdade de Direito do Recife, “entidade que não estava acostumada à diversidade”. Mas, segundo Liana, “Rob não esperou as coisas mudarem; mudou as coisas e impôs respeito e, por isto mesmo, conquistou o afeto e admiração de muita gente por lá. Por estas e tantas outras razões, a vitória de Rob na OAB é uma vitória de muitas mulheres e homens, que se sentem felizes e representados por ela”.

APOIO – Para a própria Robeyoncé, o mais importante nesse momento é constatar que seu mérito não é fruto apenas do esforço pessoal, mas sim do apoio de muitas pessoas, como professores e colegas da FDR. “Eu gostaria de tirar esse protagonismo que está somente em cima de mim, uma vez que muito do que eu alcancei devo ao apoio dessas pessoas”, afirma, reconhecendo que seu esforço pessoal e obstinação tenham sido determinantes na sua jornada. Antes deste curso, a estudante, que atualmente faz estágio na Justiça Federal, já cursou Geografia na UFPE e Meio Ambiente no IFPE.

Rob relembra que quando ingressou no curso de Direito, em 2010 – beneficiada pelo abono de 10% sobre sua nota por ser oriunda de escola pública – ela se sentia “num castelo escandinavo, rodeada de brancos e ricos”. E atesta: “Com o tempo e o avanço da política de cotas, percebi claramente a mudança e a faculdade começou a ficar mais colorida, com variedade de classes sociais, melhor”. Segundo a estudante, o preconceito é muito pernicioso em qualquer situação, mas, destaca que “para um estudante de Direito é muito pior, uma vez que, mais tarde, ele pode vir a decidir sobre o futuro das pessoas”.

Quanto ao uso do seu nome social na UFPE, direito conferido por determinação do reitor Anísio Brasileiro desde fevereiro de 2015, a futura advogada ressalta que ainda é necessário lutar para que seu nome de escolha possa ser usado em todos os documentos pessoais, como carteiras de identidade, motorista e outros. “Eu só sou Robeyoncé Lima da porta da Universidade para dentro e isso para nós [ela sempre usa o pronome pessoal no plural] não é o suficiente”, diz. E para os ou as demais trans que desejem seguir os caminhos que ela está percorrendo, deixa um recado: “Os obstáculos virão, porque a sociedade é preconceituosa, mas diante da nossa força pessoal eles desmoronam”, garante.






Com informações da assessoria.
























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