quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Técnica de controle do Aedes aegypti é testada por Fiocruz, UFPE e Secretaria de Saúde de Fernando de Noronha

A técnica de controle do Aedes aegypti – vetor transmissor das arboviroses dengue, zika e chicungunha – por meio do uso de energia nuclear, está sendo testada na ilha de Fernando de Noronha. O teste é uma parceria da Fiocruz Pernambuco, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Secretaria de Saúde da Ilha de Fernando de Noronha, inserido no projeto “Tecnologias integradas para controle biológico, mecânico e genético de Aedes aegypti”, coordenado pela pesquisadora Maria Alice Varjal, da Fiocruz-PE. A etapa atual do projeto foi apresentada em coletiva de imprensa ontem (15), no Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, sede da Fiocruz-PE.

Dentro do projeto, a UFPE participa com a tese intitulada “Potencial de uso de machos esterilizados por radiação gama (60Co) para o controle populacional de Aedes aegypti (Diptera Culicidae): um caminho biotecnológico do laboratório para o campo”, de autoria da doutoranda Sloana Giesta Lemos Florêncio e orientada pela professora Edvane Borges da Silva (Centro Acadêmico de Vitória) [foto acima/Assessoria de Comunicação Fiocruz], do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Energéticas e Nucleares (Proten) da Universidade, e coorientada pela pesquisadora Maria Alice Varjal, da Fiocruz-PE.

A parceria, iniciada em 2012, já está em sua segunda fase. Nesta etapa de campo da pesquisa, os mosquitos machos, esterilizados, estão sendo liberados em quatro pontos da Vila da Praia da Conceição, no Distrito de Fernando de Noronha, para competir com os selvagens no acasalamento. De dezembro até a primeira quinzena deste mês, foram realizadas nove liberações, cada uma com três mil machos estéreis. “A escolha da Ilha de Fernando de Noronha se dá porque existe um isolamento geográfico natural, o que vai ajudar a fazer uma avaliação mais isenta em relação a fatores externos. Um aspecto muito decisivo nessa pesquisa é que nós estamos utilizando uma subpopulação da espécie que é proveniente da própria ilha”, explicou Maria Alice Varjal. As avaliações começam a ser realizadas a partir do final deste mês, para verificar se a redução de cerca de 70% da viabilidade dos ovos observada em laboratório também se confirmará em campo.
 
A importância do trabalho foi ressaltada pela coordenadora de Saúde, da Secretaria de Saúde de Fernando de Noronha, Fátima Souza. “A pesquisa precisa ser associada à prática. Nós precisamos do olhar da ciência no auxílio para o controle da produção dos vetores”, afirmou.

PESQUISA – Os mosquitos, produzidos em massa no insetário da Fiocruz-PE, são expostos à radiação gama, ainda na fase de pupa (a última antes da fase adulta/alada), para fins de esterilização. A irradiação ocorre no Irradiador Gammacel do Departamento de Energia Nuclear (DEN) da UFPE, cuja fonte radioativa é o Cobalto 60. “A radiação, quando interage com o material biológico, pode provocar vários tipos de efeitos e um deles é a esterilização”, explicou a professora Edvane Borges, da UFPE.
 
Os mosquitos machos esterilizados, ao vencerem a disputa com os selvagens, passam a espermatozóides inviáveis, que são utilizados pelas fêmeas durante todo o seu processo de postura dos ovos, sem gerar novas larvas do inseto. Como a fêmea do mosquito costuma ficar disponível para acasalar apenas uma vez ao longo de sua vida, o cruzamento com machos estéreis acaba impedindo sua reprodução. A partir do uso dessa tecnologia, é esperada uma diminuição da densidade populacional do Aedes. 
   
Os testes, realizados no insetário do Departamento de Entomologia da Fiocruz-PE, simularam a situação de campo. A busca foi por obter uma quantidade mínima ideal, que não se mostrasse excessiva nem insuficiente. A melhor proporção observada foi de dez mosquitos estéreis para cada mosquito selvagem (10:1).



Mais informações
Professora Edvane Borges da Silva
(81) 3523.3351 / 2126.7977









Com informações da assessoria.


























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