quarta-feira, 23 de março de 2016

"A Globo age como partido político", afirma pesquisadora

Para Sylvia Moretzsohn, cobertura da emissora sobre acontecimentos políticos cria condições para golpe de Estado no Brasil
Por Mariana Pitasse,
O modo como a Rede Globo está noticiando os últimos acontecimentos políticos tem repercutido de várias formas pelo país. Na última quarta-feira, uma edição estendida do Jornal Nacional foi dedicada apenas a interpretar gravações sigilosas de Lula e da presidente Dilma, parte de investigações da Polícia Federal liberadas diretamente pelo juiz federal Sérgio Moro. Nas redes sociais, o Jornal Nacional foi um dos assuntos mais comentados, principalmente no Twitter, em que a maioria das postagens fazia críticas à “cobertura manipuladora promovida pela emissora”. Para Sylvia Moretzsohn, professora do Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF), está crescendo a consciência de que existe uma manipulação de informações articulada pela Rede Globo. 
Brasil de Fato - Você acredita que o jornalismo produzido pela Globo está trabalhando como partido político?
Sylvia Moretzsohn - Há muito tempo. A ação do Jornal Nacional é muito clara. Não é à toa que a Dilma tenha tido tanto espaço nas últimas edições, porque sempre que ela aparece é uma chamada para as pessoas baterem panela. Com a internet e whatsapp, as pessoas se comunicam muito rápido. Então, toda vez que o Lula e a Dilma entram no ar é a mesma coisa. Vão criando uma disposição, um efeito cascata. É claro que a Globo não está mais preocupada em fingir.
Brasil de fato - Como isso funciona na prática?
Sobre as gravações grampeadas de Lula e Dilma, por exemplo, o Jornal Nacional anunciou como se os pilares da república estivessem caindo, mas eu sinceramente não vi nada naquela gravação em que os dois conversam. A primeira coisa que me veio à cabeça foi: grampearam o Palácio do Planalto. Essa é a notícia. Só que a Globo ficou martelando a noite toda sobre interpretações das gravações, sem apuração. Não questionaram o fato de um juiz federal quebrar o sigilo e divulgar dessa forma para a imprensa. 
Brasil de fato - Na internet, houve uma grande repercussão negativa sobre a cobertura da Globo. Como você acredita que a população em geral interpreta o que a emissora está fazendo? 
Está crescendo uma certa consciência de que existe uma manipulação. Mas eu acho que ainda é uma minoria que protesta contra o oligopólio da Globo e sobre o conteúdo de suas transmissões. Acredito que se houvesse consciência, as pessoas não atenderiam as chamadas para bater panela. 
Brasil de fato - Qual a principal consequência dessa ação da emissora?
Com certeza criar condições para um golpe de Estado. Querem fazer com que a opinião pública se manifeste a favor da derrubada de Dilma, mas sempre em nome de uma causa nobre, que é o combate à corrupção. Existem pessoas que vão às ruas pedir intervenção militar, mas ninguém vai à rua pedir pela corrupção. Eles colocam como se estivessem defendendo o Brasil e a democracia, mas a marca da corrupção só está em um partido (PT), que hoje representa toda a esquerda brasileira. 
Brasil de Fato - O que a população pode fazer diante disso?
Denunciar, se manifestar contra isso. Precisamos debater sobre a democratização da comunicação, é mais do que urgente uma legislação para os meios de comunicação no Brasil. A Globo não pode continuar imperando com tanto poder sobre uma concessão pública. A mídia não tem o papel de produzir palpites, mas sim de informar. 






Do portal Brasil de Fato.
























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