terça-feira, 1 de março de 2016

Governo da Paraíba, Lika e Círculo do Coração desenvolvem nova fase de pesquisa sobre microcefalia

O Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika) da UFPE é um dos parceiros de uma pesquisa, liderada pelo Governo do Estado da Paraíba, sobre o aumento de casos de microcefalia em bebês, especialmente na Região Nordeste. O estudo, cujos primeiros resultados ratificam esse aumento na Paraíba, de 2012 a 2015, embora sem confirmação de suas causas, entra, em breve, numa nova etapa, na qual amostras de mães e bebês nordestinos passarão por análises genéticas e moleculares associadas às arboviroses zika, dengue e chicungunha.

A partir de sequenciamento, expressão de genes e análises moleculares das amostras, a pesquisa buscará causas genéticas e moleculares da má-formação e verificará a presença de arboviroses e possíveis associações a outras doenças. “Vamos à procura de possíveis biomarcadores, ou seja, de marcas individuais que podem ser expressas ou inibidas pelo processo infeccioso, relacionadas às doenças, em particular com o vírus zika”, explica o diretor do Lika, professor José Luiz de Lima Filho (foto).

Este trabalho pode durar meses ou anos, a depender da quantidade de amostras (ainda em fase de coleta e de definição numérica) estudadas e dos recursos investidos. Segundo José Luiz de Lima, os resultados podem apontar razões da má-formação e caminhos para o desenvolvimento de medicamentos que possam atuar como inibidores ou de uma vacina contra o vírus.

A pesquisa clínica é coordenada pela cardiologista pediátrica e fetal Sandra da Silva Mattos, que também preside a organização não governamental Círculo do Coração de Pernambuco, parceira do estudo, é pesquisadora do Lika e membro do Programa de Pós-Graduação em Biologia Aplicada à Saúde do Lika-UFPE. Um artigo publicado no Boletim da Organização Mundial da Saúde (OMS), no dia 4 deste mês, traz os primeiros resultados da pesquisa. Intitulado “Microcephaly in Northeast Brazil: a review of 16.208 births between 2012 and 2015”, o trabalho mostra uma incidência de 2% a 8% de casos de microcefalia (de leves a extremos) no período do estudo, em bebês paraibanos.

Os resultados levantam questionamentos sobre as condições de diagnóstico e sua notificação. O artigo ainda indica uma sazonalidade dos casos, o que abre possibilidade de associação com as infecções causadas pelo mosquito Aedes aegypti, embora a documentação inclua um período anterior ao da entrada oficial do zika vírus no Brasil, no ano de 2014.

O relatório publicado no Boletim da OMS tem autoria de Juliana Sousa Soares de Araújo (Círculo do Coração de Pernambuco e doutoranda em Biologia Aplicada à Saúde do Lika-UFPE), Cláudio Teixeira Regis (Círculo do Coração de Pernambuco), Renata Grigório Silva Gomes (Círculo do Coração de Pernambuco e doutoranda em Biologia Aplicada à Saúde do Lika-UFPE), Thiago Ribeiro Tavares (Círculo do Coração de Pernambuco), Cícera Rocha dos Santos (Círculo do Coração de Pernambuco), Patrícia Melo Assunção (Secretaria de Saúde da Paraíba), Renata Valéria Nóbrega (Secretaria de Saúde da Paraíba), Diana de Fátima Alves Pinto (Secretaria de Saúde da Paraíba), Bruno Vinícius Dantas Bezerra (Secretaria de Saúde da Paraíba) e Sandra da Silva Mattos.

Para esse trabalho, foram avaliadas 16.208 amostras que integram o banco de dados de uma pesquisa sobre cardiologia fetal desenvolvida, há quatro anos, pelo Governo do Estado da Paraíba e pela médica Sandra da Silva Mattos, em parceria com o Lika e o Círculo do Coração. Embora a análise da circunferência encefálica não conste do estudo original, que examinou mais de 100 mil amostras de recém-nascidos coletadas em 21 centros médicos públicos paraibanos, os pesquisadores retomaram as informações catalogadas em 10% do banco de dados e deram novo foco à pesquisa, a partir de 2015, em suporte aos estudos sobre a má-formação cerebral e o zika vírus.

“Se hoje temos dados epidemiológicos e moleculares que possam dar respostas aos casos de microcefalia no Nordeste, é graças à estrutura e à organização do Governo da Paraíba”, ressalta José Luiz de Lima.

JAPÃO – Uma missão japonesa visita o Lika-UFPE, de 9 a 12 de março, para discutir projetos de cooperação na área de microcefalia e zika. “O estudo dos japoneses pode ir do diagnóstico à vacina, usando o Lika como base no Brasil”, diz o professor José Luiz de Lima. A comitiva será composta por seis pesquisadores e terá como líderes o professor Seiki Tateno (National Center for Global Health and Medicine) e Yukio Nakatani (director of Pandemic Influenza Preparedness and Responses Office – Ministry of Health, Labour and Welfare).
 
OUTROS PARCEIROS – As pesquisas desenvolvidas no Lika também mantêm parcerias com a University College London (Inglaterra), Harvard University (Estados Unidos), Massachusetts Institute of Technology – MIT (Estados Unidos), Governo Japonês, Universidade de São Paulo (USP), Porto Digital, Prefeitura do Recife e Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/Fundação Oswaldo Cruz – Pernambuco (Fiocruz-PE).


Mais informações

Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika)
(81) 2126.8484

Professor José Luiz de Lima Filho








Com informações da assessoria.


























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