terça-feira, 26 de abril de 2016

OCEANOGRAFIA | Estuário do Capibaribe apresenta alto nível de poluentes persistentes


Por Douglas Fernandes
 
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), defendido no Curso de Oceanografia da UFPE, revela a presença de compostos nocivos ao meio ambiente no estuário do rio Capibaribe. A pesquisa “Poluentes orgânicos persistentes no sedimento do estuário do Capibaribe, Recife, Pernambuco” alerta, ainda, para a necessidade de cuidados especiais no processo de dragagem em curso nas águas do rio, como parte do programa de navegabilidade do Governo do Estado. 

A gravidade da descoberta se deve, sobretudo, ao fato de ser o estuário um ambiente de elevada importância ambiental devido ao encontro das águas doces e salgadas, já próximo ao mar, sendo um local de reprodução, fonte de alimento e abrigo para muitas espécies marinhas e de água doce. É lá, também, que ocorre a filtragem dos componentes indevidos ao meio ambiente. A autora do TCC, Jéssica Moura, cita os danos que os poluentes orgânicos persistentes podem causar aos organismos, como problemas nos sistemas reprodutivo, nervoso, imunológico e, ainda, cânceres e morte, inclusive, em humanos que consomem recursos contaminados.

Com a orientação do professor Gilvan Takeshi Yogui, o estudo fez coletas de amostras de sedimento em 18 estações do estuário do Capibaribe, compreendendo desde o Porto do Recife até a BR 101. Após análise em laboratório, verificou-se a existência de componentes de alto peso molecular, ou seja, que são resistentes à degradação biológica, física e química, permanecendo por décadas no meio ambiente. Esses materiais são chamados de poluentes orgânicos persistentes, sendo todos artificiais, encontrados em pesticidas e isolantes elétricos. 

FISCALIZAÇÃO – Como Jéssica Moura afirma, dentre os contaminantes presentes estão as bifenilas policloradas, conhecidas como PCBs, e os pesticidas organoclorados, ambos proibidos em muitos países, inclusive no Brasil. Na resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), como ressalta a oceanógrafa, constam somente sete tipos de PCBs, mas, neste estudo foram analisadas 182 modalidades de PCBs, verificando o dobro da concentração em comparação ao número de componentes abarcados pela resolução do órgão federal. Ou seja, a análise de contaminação sob as orientações do Conama está subestimada pela metade. Jéssica acredita que esta subestimação pode estar ocorrendo em outros estuários e regiões costeiras do país. Por esta razão, a autora ressalta a importância de uma revisão na resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Res. 454/ 2012 Conama) para a inclusão de mais materiais persistentes nas avaliações do órgão federal; visando, assim, à redução de danos ocasionados por dragagens. 

Além disso, a autora do trabalho salienta a necessidade de uma maior fiscalização ambiental, já que esses componentes são proibidos, contudo, evidências sugeriram utilização recente no estado de Pernambuco.

A oceanógrafa destaca a importância histórica e ambiental do Capibaribe e lamenta a situação atual dele. Ela sugere que, junto ao projeto de navegabilidade, façam-se também projetos de recuperação do estuário, visando minimizar os danos aos organismos que vivem ali. E não só a eles, como acentua a pesquisadora, já que muitos ribeirinhos vivem do sustendo oriundo do rio Capibaribe.

Outras recomendações de Jéssica são estudos toxicológicos sobre os efeitos nocivos dos contaminantes, além do descarte correto dos sedimentos no processo de dragagem. A pesquisa, que faz parte do Projeto de Caracterização da Matéria Orgânica do Estuário do Capibaribe, coordenado pelo professor Gilvan Yogui, também revela que a concentração de poluentes persistentes no rio pernambucano é uma das maiores do Brasil e similar à concentração encontrada na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

Mais informações

Departamento de Oceanografia
(81) 2126.8225
docean@ufpe.br




Com informações da assessoria.




































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