quinta-feira, 14 de julho de 2016

A lógica da demissão de Villa da Veja


Por Paulo Nogueira

Do DCM

Pessoas como Marco Antonio Villa infestaram as redações das grandes empresas jornalísticas desde que o PT ascendeu ao poder. Elas foram recrutadas com um único propósito: ajudar os barões da mídia a tirar o PT do poder. 
Isto conseguido, elas perdem a valia. Já não servem para nada. É mais ou menos como Cunha: ele foi protegido pela imprensa — e pelo STF — enquanto teve serventia, até o dia da admissão pela Câmara do processo de afastamento de Dilma.
Depois foi jogado aos lobos.
É dentro dessa lógica que se deve ver a demissão de Villa da Veja. Como historiador, ele ofereceu ao público da revista uma contribuição extraordinariamente rasa da história contemporânea nacional.
Mas como caçador de petistas ele se superou. Tornou-se monomaníaco em relação a Lula, sobretudo, a quem foi ofendendo cada vez mais, ao longo dos anos, até ser processado e pensar melhor nos insultos que proferia.
Ele, para a Veja, não serve mais para nada.
É uma tendência que o exército antipetista montado pela mídia plutocrática comece a ser dissolvido agora.
As empresas comportam-se assim. Do ponto de vista administrativo, contratam especialistas em marketing quando têm que crescer. Trocam-nos por especialistas em finanças quando se trata de amarrar os cintos. Cada ciclo é cada ciclo. São as sístoles e as diástoles, na frase marcante do general Golbery.
Villa se comportou com deselegância ao anunciar sua saída. Lembrou que a Veja está passando por uma crise econômica terrível. É verdade. Mas mesmo assim a revista poderia perfeitamente bancar o frila de Villa na TVeja. É pixuleco perto das demais despesas da Abril.
Villa falou bobagem também. Disse que suas aparições na TVeja foram campeãs de audiência.
Ora, ora, ora.
A TVeja é um antiexemplo. É uma mostra da dificuldade brutal que empresas tradicionais de mídia têm ao fazer qualquer coisa na internet.
No YouTube, vá ao canal da TVeja e verifique as visualizações, se tiver disposição. É uma miséria. Ou alguém acha que os internautas suportam uma conversa imóvel de uma hora entre pessoas como Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo e o próprio Villa?
Villa não levou à TVeja a profundidade, a inteligência, a sofisticação de raciocínio que se deveria esperar de um historiador.
Levou burrice, ignorância e o preconceito típicos de ativistas de direita.
Seu legado, de zero a cem, não chega a ser zero. É abaixo de zero.
Paulo Nogueira é jornalista, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.





Do portal do Sindsep.























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